domingo, 30 de julho de 2017

Bossa Nova #2: O Apartamento

Rio de Janeiro, 1946.
   Apesar das inovações na área de interpretação, trazidas principalmente das experiências de Lúcio Alves e Dick Farney no exterior, no início dos anos 50, as músicas consideradas modernas eram do tipo dor-de-cotovelo, embora com as harmonias já mais trabalhadas, como em Ninguém Me Ama.

   Muito ligada à natureza exuberante do Rio de Janeiro e à excelente música que se produzia na América a qual chegava através de discos e programas de rádio, a nova geração criada nas areias limpas das praias de Copacabana e Ipanema, alegre, irreverente e sedenta por novidades, queria retratar sua própria experiência, seus sonhos e estilo de vida.

Nara Leão, anos 40.
   Naquela época, as boas famílias consideravam cantar e tocar violão atividades menores e desestimulavam qualquer tipo de iniciativa de seus filhos neste sentido. Os rapazes normalmente eram direcionados a seguir carreiras como direito, engenharia ou arquitetura. As garotas podiam até tocar violão, enquanto esperavam um marido adequado. Mas os pais de Nara Leão eram uma exceção, pois recebiam com prazer os amigos da filha para reuniões musicais em que se trocavam acordes e ideias. O apartamento da família, situado na avenida Atlântica, entrou para a história como principal reduto da nova turma da Bossa Nova.

Roberto Menescal
Carlos Lyra
   Nara tinha 12 anos e aprendia violão com um professor chamado Patrício Teixeira. Roberto Menescal, seu amigo da rua, vez em quando "bicava" as aulas.

   "A Nara era uma cabeça muito mais adiantada do que a gente", conta Menescal. Logo toda a turma que se reunia pra ouvir os discos no apartamento da família Leão, começou a se interessar por música.

Luis Carlos Vinhas
   Carlos Lyra também morava em Copacabana, e começou a tocar violão aos 19 anos, por causa de uma perna quebrada quando servia no exército. Sua mãe, com pena dos quatro meses de imobilidade receitados pelo médico, resolver presenteá-lo com um violão.
   Carlos Lyra acabou conhecendo Roberto Menescal e Luís Carlos Vinhas quando foi estudar no colégio Mallet Soares.

   Além das reuniões na casa de Nara Leão, a turma também frequentava os bares e boates onde se apresentavam Dick Farney, Lúcio Alves, Johnny Alf, Tito Madi, João Donato e Dolores Duran. "Eles foram os precursores da Bossa Nova, prepararam o terreno para a gente", reconhece Lyra.


A História da Bossa Nova, volume 1 - edição especial Caras;
www.panoramio.com;
www.naraleao.com.br;
www.apterix.net/archivio;

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Bossa Nova #1: A Gestação

Copacabana, década de 1950
   As primeiras manifestações do que viria a ser conhecido como Bossa Nova ocorreram na década de 1950, na zona sul do Rio de Janeiro. Ali, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados, amantes do jazz americano e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimentos do gênero, que conseguiu unir a alegria do ritmo brasileiro às sofisticadas harmonias do jazz americano.
   Não é a toa que a década de 1950 é conhecida como os "anos dourados". Neste período, o Rio de Janeiro vivia um raro momento de florescimento artístico, como poucas vezes se viu na história da cultura nacional. O Brasil vivia um período de crescimento econômico que acabou refletindo em todas as áreas.

   Foram lançados dois importantes marcos na literatura brasileira: "O Encontro Marcado", de Fernando Sabino, e "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa.
   Paralelamente, surgiu na poesia um movimento inspirado no concretismo pictórico, da qual participaram os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar, entre outros. 
Seleção brasileira de futebol. 1958

  Estreou o filme "Rio Zona Norte", de Nelson Ferreira dos Santos, um dos primeiros representantes do Cinema Novo. 
  A Seleção Brasileira de Futebol conquistou sua primeira Copa do Mundo. 
  Jorge Amado lançava "Gabriela Cravo e Canela".
1958, Eles Não Usam Back-Tie

 Gianfrancesco Guarnieri estreava em São Paulo "Eles Não Usam Black-tie", marco na linguagem teatral brasileira.
  O movimento neoconcreto nas artes plásticas foi lançado e nele estavam presentes Hélio Oticica, Lígia Pape, Lygia Clarck, entre outros.
   Brasília passou a ser a capital do país.
   Contudo, antes de tudo isso ter acontecido, ainda na década de 1940, a grande novidade musical foi "Copacabana" , um samba canção gravado pelo cantor/pianista Dick Farney com claras influências da música americana.
Dick Farney

   Dick Farney, cantor de voz aveludada, um dos maiores ídolos da juventude brasileira, era apaixonado pela música americana, especialmente por Sinatra, Mel Tormé e Dick Hames. Farney foi para os Estados Unidos tentar carreira por lá. No fim da década de 1940 voltou para o Brasil, mas sua carreira já estava irremediavelmente influenciada pela música estadunidense.
Lúcio Alves

   O cantor Lucio Alves também era um amante do jazz americano e ídolo dos jovens brasileiros. Ele era fã de conjuntos vocais como Pied Pipers, Moderneer's e Starlighter's. O cantor fundou o grupo Namorados da Lua, do qual era crooner, violonista e arranjador, e com o qual gravaram mais de 40 discos. Lúcio foi convidado para integrar o conjunto cubano Anjos do Inferno. De Cuba partiu para os Estados Unidos, onde aprendeu muito, assim como Dick Farney.


A História da Bossa Nova, volume 1 - edição especial Caras;

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Louis Armstrong

   A música do século XX deve muito a seus vocais e improvisos inovadores, tornando difícil não empregar o título de gênio.
   Mas como um músico de origem tão simples contribuiu tanto para definir os caminhos do jazz?



A Grande Incubadora


Buddy Bolden
   New Orleans, conhecida mundialmente como o "berço do jazz", foi fundada por franceses em 1718 e viveu como colônia até 1800, quando Napoleão Bonaparte resolveu vendê-la aos norte-americanos.
Buddy Bolden's Band
   Uma das versões sobre o nascimento do jazz nos transporta para 1895, ano em que o trompetista Buddy Bolden (1877-1931) formou sua banda na cidade. Note-se que a contribuição musical e o prestígio desse lendário pioneiro do gênero, só puderam ser avaliados por meio de relatos de músicos que o ouviram tocar ao vivo, porque antes mesmo de surgir uma tecnologia que permitisse gravá-los, Buddy foi internado em um sanatório, em 1907, após ter agredido sua sogra. Ali ficou até a morte.
   New Orleans foi terra natal de muitos outros pioneiros e criadores do jazz tradicional, como: Jelly Roll Morton, Sidney Bechet, King Oliver, Kid Ory, Freddie Keppard, e entre inúmeros outros, Louis Armstrong, nascido em 4 de agosto de 1901. A cidade também emprestou seu nome para batizar o primeiro estilo de jazz, o "new orleans".

Salvo Pela Música


   A infância de Armstrong em New Orleans, não poderia ter sido mais pobre. Seu pai abandonou a família quando ainda era muito pequeno. O bairro de Jane Alley, onde moravam, tinha o apelido de Battlefield (campo de batalha), por causa de brigas e bate-bocas diários entre cafetões, prostitutas, marginais e viciados que ali frequentavam.
   Com 5 anos de idade, sua mãe o entregou aos cuidados da avó, dizendo que precisava morar em outro bairro para conseguir mais dinheiro.
   Ainda garoto, em vez de ir a escola e a igreja, preferia fazer bicos e pequenas tarefas que pudessem render algum dinheiro. Nessa época, por volta de 1906, teve a sorte de ouvir o lendário trompetista Buddy Bolden, pouco antes dele ter ido pro manicômio.
   Aos 11 anos, o menino formou um grupo vocal com três colegas, que o chamavam de Dipper (redução de Dippermouth, "boca mais profunda"), apelido posteriormente substituído por Satchelmouth ("boca-de -valise").
   Louis já sonhava em aprender um instrumento, e economizou cinco dólares para comprar um cornet (versão compacta do trompete) que estava a venda numa loja de penhores. Ao iniciar no instrumento, frustrou-se percebendo que não era fácil extrair os sons, mas o acaso, não apenas resolveu este problema como literalmente, mudou o rumo da sua vida.
Louis Armstrong e Peter Davis
   Na noite de 31 de dezembro de 1912, Louis queria comemorar a passagem do ano com uma típica molecagem. Pegou emprestado do padrasto um revólver e disparou seis tiros pro céu, apenas por farra. Porém, essa molecagem lhe rendeu uma noite na cadeia e foi enviado para um reformatório comandado por militares.
   No reformatório encontrou Peter Davis, professor de música e regente da orquestra da instituição. Louis teve que amargar seis meses até conquistar a confiança do professor que, finalmente, o ajudou a desenvolver a embocadura e a técnica. Poucos anos depois, já chamava a atenção dos músicos mais velhos ao soprar seu cornet com uma energia impressionante.


Anos de Formação


Louis e King Oliver
   Com 17 anos, Armstrong só enxergava uma saída, tornar-se músico e deixar pra trás a carroça com a qual vendia carvão para ajudar no sustento de casa.
   Nesta época, conheceu e se aproximou do cornetista Joe "King" Oliver, que lhe deu várias dicas e se tornou seu mentor musical.
Original Dixieland Jazz Band
   A falta de dinheiro não impediu que Louis acumulasse uma eclética cultura musical, pois vivendo em New Orleans, uma cidade tão rica musicalmente, bastava sair as ruas e ouvir marchas, polcas, valsas, xotes, quadrilhas, habaneras, além do recém-nascido jazz.
   O gramofone que conseguiu comprar em 1918, também foi muito útil para sua formação. Nele, divertiu-se bastante ouvindo os discos do Original Dixieland Jazz Band, quinteto que entrou para a história. Mas o interesse de Louis não se restringia ao jazz. Entre seus discos, costumava ouvir gravações de cantores líricos como Enrico Caruso, Amelita Galli-Cursi, John McCormack, entre outros.
Kid Ory
Fate Marable
   Louis foi chamado pelo trombonista Kid Ory (um dos pioneiros do jazz) a integrar sua banda, considerada a melhor do gênero. Meses depois, foi convidado para se juntar a banda do sério e exigente pianista Fate Marable, com quem aprendeu a ler partituras.
   Em 1922 Louis recebe outro convite. Desta vez, deixou New Orleans e foi pra Chicago ser o segundo trompete da Creole Jazz Band , liderada pelo seu antigo mentor King Oliver. Com essa banda Louis fez suas primeiras gravações, e seu talento era tão exuberante, que acabou foi tocar na conceituada orquestra de Fletcher Henderson, em Nova York. 
Creole Jazz Band
Fletcher Henderson Orchestra
   Louis Armstrong estava pronto para comandar seus próprios grupos, entre os quais, destacam-se os "Hot Five" e os "Hot Seven".
   Longos anos dentro do show business como instrumentista, band leader, cantor, músico, ator, o transformaram numa celebridade com sucesso internacional tão grande, que em 1965, nem o pelotão policial do muro de Berlim o impediu de visitar o outro lado da cidade, quando já de madrugada, depois de fazer um concerto em Berlim Oriental. Ao reconhecê-lo, os guardas russos e alemães liberaram a passagem do cantor e de seus músicos. Mas só depois de ganharem um autógrafo.
   No início de 1971, seu estado de saúde já era crítico. Além de enfrentar uma úlcera e problema nos rins, tinha acabado de sofrer uma traqueotomia. Mesmo assim, insistiu muito com o médico para que ele não o obrigasse a cancelar um show agendado para março no hotel Waldorf Astoria.
   "As pessoas estão esperando por mim. Preciso ir, doutor". Foi seu último show.


Coleção Folha Clássicos do Jazz (Folha de São Paulo);
www.nathanielturner.com;
www.redhotjazz.com;

domingo, 30 de abril de 2017

Carnaval e Fascismo

Entrudo na rua do Ouvidor (RJ).
Ilustração de Angelo Agostini, 1884
   Um traço comum no carnaval de diferentes épocas e países é o de virar as regras do avesso. Nos primeiros carnavais do Brasil, porém, não haviam tantos papéis trocados, mas uma reviravolta de comportamentos era presente.
  Durante as festas conhecidas como entrudos, as pessoas atiravam bolas de cera nos outros e faziam guerrinhas d'água pela rua.
   Em 1832, por exemplo, o jovem inglês Charles Darwin visitando o Brasil, ficou assustado com o carnaval baiano e deixou escrito em seu diário: "Estes perigos consistem principalmente em sermos, impiedosamente, fuzilados com bolas de cera cheias d'água e molhados com esguichos de lata. Achamos muito difícil manter a nossa dignidade enquanto caminhávamos pelas ruas".
Hitler, Mussolini e Vargas

   Na maior parte da história do Brasil, o carnaval foi uma algazarra deliciosamente sem noção. Mas suponha que, de repente, um ditador bem metódico, militar e fascista, alguém como o italiano Benito Mussolini, aliado de Hitler na Segunda Guerra Mundial, tivesse o direito de regular essa bagunça para torná-la orgulho da nação. Como seria um carnaval organizado por Mussolini?

   Como em um desfile patriótico, os carnavalescos
Portela concentrada no carnaval de 1932.
marchariam em linha reta, com tempo metodicamente marcado para cada evolução. Passariam diante de autoridades do governo e de jurados, que avaliariam a disciplina, o figurino e a média de acertos dos grupos, dando notas até dez. A organização do carnaval permitiria apenas músicas edificantes e patrióticas. Para ressaltar a pátria e deixar de fora a influência estrangeira, a melodia só poderia ser executada por instrumentos considerados da cultura nacional.
   Se adicionarmos celebridades quase nuas e muitas penugens, o cenário fica parecido com a Sapucaí. 

Desfile de carro alegórico em São Paulo, 1962.
   Foi mais ou menos assim que nasceu o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Seu formato atual deve muito a costumes e ideologias fascistas da década de 1930, além do interesse de Getúlio Vargas de misturar sua imagem à cultura nacional e popular, exatamente como Mussolini fazia na Itália.
  Em 1937, ano em que o governo Vargas se tornaria uma ditadura bem parecida com a italiana, foi instituído que todos os sambas-enredos deveriam homenagear a história do Brasil. As primeiras regras de avaliação e ordem do desfile nasceram dois anos antes, quando o interventor federal do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto, começou a dar dinheiro para as escolas. A apresentação ocorria na Avenida Rio Branco, mesmo local onde as demonstrações militares comemoravam a Independência todos dia 7 de setembro.


Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Leandro Narloch);
www.gazetadopovo.com.br;
www.portelaweb.org;

quinta-feira, 30 de março de 2017

O Poderoso Chefão


   É com imensurável prazer que compartilho um texto que reencontrei em meu acervo. Trata-se de um músico que admiro muito, John Leslie Wes Montgomery.

   O artigo já inicia com um título da pesada: O PODEROSO CHEFÃO, publicado pela revista Guitar Player em Setembro de 1998.
   Sem mais delongas, vamos a leitura.

   "A primeira vez que ouvi Wes Montgomery, foi como se eu tivesse sido atingido por um raio", escreveu o crítico Ralph L. Gleason em agosto de 1973. Um quarto de século mais tarde, nada mudou. Para escutar Wes, é melhor estar preparado. Colocando no mesmo pedestal onde estão Django Reinhardt, Charlie Christian, Charlie Parker, John Coltrane e Miles Davis.

   Com um incrível suingue, senso melódico apurado, sofisticação harmônica e sonoridade ímpar, Montgomery (1923-1968) mudou  a história da guitarra jazzística, influenciando músicos de todos os estilos, como: George Benson, Eric Johnson, Pat Martino, Pat Metheny, Jimi Hendrix entre inúmeros outros.
   

O Início


   Um polegar conquista o mundo!
   Wes nasceu em Indianápolis e foi um autodidata. Depois de abandonar o violão tenor de quatro cordas, que ganhara de seu irmão Monk, comprou uma guitarra de seis cordas quando tinha dezenove anos. Em oito meses, já estava no palco, tocando de cor tudo o que Charlie Christian tocara em "Solo Flight" - o lendário álbum de Benny Goodman.

   Depois de uma passagem pela banda de Lionel Hampton, em 1948, Montgomery passou alguns anos apurando seu estilo. De 1957 a 59, ele e seus irmãos - o pianista/vibrafonista Buddy e o baixista Monk - formaram o Mastersounds. 

   O grupo tocou bastante na área de Indianópolis, e até gravou vários discos de algum sucesso, mas as coisas só começaram mesmo a acontecer quando o guitarrista foi descoberto pelo produtor Orrin Keepnews.

Wes Montgomery, Cannonball
Adderley and Orrin Keepnews
   Seguindo uma sugestão do saxofonista Cannonball Adderley, Keepnews trouxe Wes para o selo Riverside, onde ele gravou em 1959 "The Wes Montgomery Trio". Tocando com grupos pequenos e dando ênfase aos improvisos, as gravações de Wes na Riverside foram enormes êxitos artísticos, aclamados pela crítica.

   Em 1961, Wes tocou no Monterey Jazz Festival - e numa série de outras gigs em São Francisco - como membro do grupo de John Coltrane, que reunia nada menos que McCoy Tyner, Eric Dolphy e Elvin Jones. Infelizmente, não há qualquer gravação deste time conhecida.
   

Caindo no Pop


   Apesar do entusiasmo dos críticos, os discos de Wes não vendiam lá grande coisa. Quando a Riverside fechou, em 1964, Montgomery passou quatro anos produzindo música mais acessível, com uma série de álbuns super orquestrados gravados para a Verve e a A&M. O sucesso teve seu preço: assim que suas linhas oitavadas começaram a voar nas ondas do rádio, com versões instrumentais de sucessos como "Tequila", "California Dreaming", "Going Out of My Herd" ou "A Day in The Life", a crítica de jazz não perdoou e foi arrasadora.

   Não eram maus discos - tudo o que Wes produziu tem mérito artístico -, mas em geral todos reconhecem que o seu período mais criativo foram os anos na Riverside (1959/64). Todo o catálogo da Riverside (comprado pela Fantasy) foi relançado em CD. Ouça qualquer uma das faixas, e você vai perceber que cada frase é um estudo de senso melódico e groove.

Estilo


   Apesar de ser um músico sem formação teórica (sentia-se inseguro nesse sentido), Wes era absolutamente fluente na linguagem jazzística e conseguiu criar uma música fantástica. Nenhuma platéia jamais percebeu qualquer insegurança. Com seus sorrisos no palco, ele parecia tão seguro e relaxado como se estivesse comendo um sanduíche de salaminho.

   Apesar de sua falta de estudo formal, seus caminhos melódicos e harmônicos o colocaram anos luz à frente de seus contemporâneos. Ele passeava por standards, clássicos do be-bop e baladas com a tranquilidade, mas o blues era a base de seu estilo. Aventurando-se muito além dos três acordes tradicionais do gênero, ele compôs inúmeros blues, numa grande variedade de estilos e ritmos, muitos dos quais apresentavam incríveis mudanças entre a primeira e segunda partes.

   Os solos de Wes seguiam muitas vezes uma fórmula com três níveis de pegada: primeiro alguns choruses com linhas normais (single notes); em seguida, oitavas; e então o clímax, com um solo matador feito com acordes. Cada mudança de técnica injeta mais energia no solo.


Revista Guitar Player, Setembro/1998;
http://www.gettyimages.com;

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Sister Rosetta Tharpe

   Você pensa que guitarra é só para homem? 


  Essa é a Rosetta Nubin, conhecida popularmente como Sister Rosetta Tharpe.
 Nascida em 20 de março de 1915 na Carolina do Sul, foi uma compositora, cantora e guitarrista de música gospel.


 Com apenas quatro anos, começou a se apresentar na companhia de sua mãe que tocava mandolim pelas igrejas do sul do país.
  Exposta ao jazz e blues durante a infância, por volta dos 15 anos Rosetta já tocava blues e jazz escondido e apresentava publicamente a música gospel. Foi pioneira na música do século XX ao cantar as letras do gospel com o ainda incipiente ritmo do rock.
  Teve grande popularidade na década de 1930 e 40.


  Sua música "STRANGE THINGS HAPPENING EVERY DAY" gravada em 1944 com o pianista de Boogie Woogie Sammy Price, mostrou a virtuosidade de sua guitarra e de suas letras espirituosas. Essa canção foi a primeira música gospel a disputar as "top 10" da Billboard, e algumas fontes creditam como a primeira gravação de Rock and Roll.


  Um número grande de músicos conhecidos, que incluem Elvis Presley, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis, Isaac Hayes e Aretha Franklin afirmaram terem sido influenciados pelo estilo de cantar, tocar e se apresentar da artista.
  Sister Rosetta Tharpe morreu em 1973, aos 58 anos, e em 2007 foi induzida ao Blues Hall of Fame.



sites de referência____________________________________
wikipedia.com;
klitorianarevolucao.blogspot.com.br/;
google.com;
youtube.com;

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Van Halen

 Revirando a estante, encontrei uma matéria sobre o poder da guitarra de Eddie Van Halen, um dos fundadores da banda que influenciou e influencia inúmeras outras. Espero que apreciem a leitura. 

 Eddie Van Halen


  A história da guitarra passa por ele, pois o líder do Van Halen reinventou a maneira de tocar guitarra. Sua importância foi definitiva para o desenvolvimento do instrumento e sua influência é observada até hoje, em bandas surgidas nos mais longínquos lugares.
 Vários foram os motivos para que Eddie Van Halen se tornasse um mito ainda em vida. E eles estão espalhados ao longo dos discos a seguir.
 Van Halen (1978): entre as canções, encontramos “Eruption”, que se tornou um divisor de águas na história da guitarra, no mesmo grau de importância que o primeiro álbum de Jimi Hendrix, “Are You Experienced?”.
 Women and Children First (1980): a partir deste disco, Eddie começou a enriquecer ainda mais seu vocabulário harmônico, com nuances de dinâmica até então ausentes.
 Fair Warning (1981): as harmonias, melodias, refrões e conduções rítmicas eram inusitadas dentro de um padrão musical até então estático. Eddie chegou a entortar o cérebro de muito guitarrista na época, tamanha quantidade de rítmos quebrados, solo com métricas esquisitas e “barulhos do além”.
 1984 (1983): as brincadeiras de Eddie nos teclados finalmente tomaram a forma de canções propriamente ditas em 1984, tanto na faixa-título de abertura como em temas que, posteriormente, se tornaram hits, como “Jump” e “I’ll Wait”.
 For Unlawful Carnal Kowledge (1991): cansado das críticas dizendo que o Van Halen havia se tornado um pastiche de si próprio, Eddie resolveu botar pra quebrar. Junto a Ted Templeman, elaborou o disco com o título explicando por extenso o termo “fuck” (um claro recado para seus detratores), o álbum é uma verdadeira coleção de canções poderosas e extremamente bem arranjadas.

O Começo de Tudo


Família Van Halen
 Se na década de 1970 o Led Zepellin era relacionado aos maiores espetáculos ao vivo, a grandes álbuns de estúdio e a muitas festas e confusões, sem falar na grande habilidade musical dos integrantes, na década seguinte, somente uma banda preencheu esses requisitos: o Van Halen.
Irmãos Van Halen
 O Van Halen chamou muito a atenção pelo talento de seu grande e inovador guitarrista e pela extravagância e carisma de David Lee Roth, o vocalista.
 A história da banda tem início na Holanda, onde nasceram Alexander Arthur Van Halen e Edward Lodewijk Van Halen, filhos do clarinetista Jan Van Halen.
 Ambos filhos estudaram piano clássico desde cedo, mas assim que a família mudou-se para Califórnia, Alexander e Edward começaram a ouvir coisas mais populares e iniciaram seus estudos em outros instrumentos.
David Lee Roth e The Red Ball Jets
Michael Anthony
 Quando terminaram o colégio, começaram a tocar com diversas bandas. Nessa época precisaram locar um equipamento de P.A. pertencente a David Lee Roth, que tocava na banda The Red Ball Jets, e Eddie (Edward) convenceu Lee Roth a cantar em sua banda chamada Mammoth.
 Certa noite, dividiram o palco com a banda Snake e seu baixista/vocalista chamado Michael Anthony foi convidado e convencido a integrar o grupo Mammoth.
 Como o nome Mammoth já era usado por outra banda, após inúmeras sugestões, o quarteto finalmente foi batizado como Van Halen.

Primeiros Passos Rumo as Sucesso


Ted Templeman
(em pé a esquerda)
 Em 1976, o quarteto tocou incansavelmente no circuito de Los Angeles, até serem vistos por Gene Simmons (KISS) que incentivou o quarteto a gravar uma demo. Contudo, nenhuma gravadora despertou interesse pelo trabalho.
 Após um ano, Ted Templeman (produtor da Warner Brothers) espantou-se ao ouví-los e não sossegou até o momento de assinar com a banda. Em 1978 a música do grupo repercutiu localmente e o talento de Eddie chamou a atenção pelas novas técnicas de guitarra que ele trazia. Os efeitos de “Two Handed Tapping” e “Pull-Off” já eram patentes em seu estilo. Um guitarrista que esbanja vivacidade e criatividade somado aos vocais de David Lee Roth, fez a banda alavancar e influenciar inúmeras outras.
 Durante os anos seguintes, o grupo trabalhou incessantemente em novos lançamentos e diversos shows.
 Em 1981, Eddie fez um fenomenal solo de guitarra na música “Beat It” de Michael Jackson. A canção tocou tanto nas rádios que o guitarrista começou a ficar conhecido mundialmente.
 Por volta de 1984, com a banda no centro das atenções, os atritos entre Eddie e David eram constantes e em 1985 o vocalista já não era mais um dos integrantes. Desde então, iniciou-se a difícil tarefa de encontrar um vocalista à altura.
Eddie e Sammy
 Nesta mesma época, o Lamborghini do guitarrista precisou de reparos. Eddie então, levou sua máquina em uma autorizada. Chegando lá, comentou com o proprietário que estava a procura de um novo vocalista. Este, por sua vez, disse que o carro de um certo Sammy Hagar também estava encostado lá para reparos, e que na ocasião, Sammy promovia sua carreira-solo. Eddie fez o contato e agendou um ensaio sem compromisso. O entrosamento foi tão satisfatório, que o novo “front-man” do Van Halen se deu por escolhido.

Mais um década de História


 Em 1991, o álbum "For Unlawful Carnal Knowledge" direcionou novamente os holofotes e teve uma vendagem espetacular.
 Os shows da turnê foram grandiosos e lotaram grandes estádios pelos EUA.
 Em 1994, Hagar e Eddie começaram a se desentender durante as gravações do álbum "Balance". O Van Halen realizou ainda uma pequena turnê e ao fim da temporada, o vocalista pediu um tempo para se dedicar à mulher e a família.
Cherone, Eddie, Michael e Alex
 Em 1996, com o retorno de David Lee Roth, a banda lançou o "Best of Van Halen, Vol. 1". Mas não demorou muito para que os velhos desentendimentos viessem à tona. A coletânea vendeu muito, mas o futuro do grupo era incerto.
 Em 1998, agora com Gary Cherone (do Extreme) nos vocais, lançaram o "Van Halen III". Devido ás baixas vendagens e a pouca repercussão que o álbum obteve, Gary também caiu fora.
 Após esta fase, a situação tornou-se cada vez mais instável e os últimos capítulos dessa época apontaram um Van Halen fora da Warner e sem gravadora.


Regis Tadeu e Haroldo Neto, Cover Guitarra 104 – Agosto 2003.